PROSPECTO: EXPOSIÇÃO EM 3D

Vivemos em um mundo aparentemente em três dimensões. Cada olho, entretanto, tem visão diferenciada de determinados objetos devido ao ângulo de observação, o que nos dá a impressão de distância, profundidade e largura (as três dimensões). Se fecharmos um olho deixaremos de ter a sensação de profundidade (parece que ainda a temos porque objetos afastados parecem mais pequenos que objetos próximos, mas na realidade falta qualquer coisa). Isso acontece por que cada olho visualiza uma cena de um ângulo diferente, ou seja, temos uma perspectiva diferente de uma imagem para cada olho. A sobreposição das imagens vistas por cada olho nos retornará uma imagem tridimensional de uma dada cena. Esta composição é feita por nosso cérebro.

A presente mostra experimental pretende que as pessoas vejam um trabalho artístico de Toninho de Souza, que sofre repetições, transmutando em uma nova obra bidimensional, à primeira vista, e que não revela qualquer interferência mas, que no entanto, esconde uma imagem tridimensional muito bem dissimulada e que só é possível visualizar recorrendo a uma técnica especial de observação. É a criação de uma imagem tridimensional representada em uma superfície bidimensional de uma folha de papel, sem recorrer a holografia ou outras técnica sofisticadas. A solução reside na maneira inteligente de olhar para um ponto atrás do papel, sem no entanto se fixar-se em um determinado ponto específico. A preocupação maior era de manter o trabalho artístico original, transmutando-o através da tecnologia e dando uma leitura estética diferente, com uma nova significação. Portanto, teremos dois trabalhos em um: o primeiro artístico e humano (Toninho de Souza), facilmente reconhecível, o segundo tecnológico e humano (Wilson Lima), enigmático e oculto. As figuras criadas são denominadas estereogramas e a percepção da nova imagem criada é resultado de aprendizados científicos sobre o funcionamento de nossos olhos.

Uma observação: este trabalho é um ensaio, visando enfatizar que a máquina não substitui o homem, mas pode auxiliá-lo a produzir novas dimensões de pensamento. Um computador não fará de qualquer pessoa um Portinari ou Van Gogh, mas pode ser uma extensão do corpo humano, aliando a arte manual aos recursos tecnológicos, criando uma arte tecnológica. Não é de todo ressaltar que o homem é imprescindível em todo o processo, por ser a origem e a fonte de tudo.

Texto: Wilson Lima

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